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André Rodrigues de Almeida (mais conhecido com André Rodrigues), nascido em 12/10/1982, na Cidade de Jaboatão dos Guararapes, no Estado de Pernambuco. É Teólogo formado pela - Escola de Teologia das Assembleias de Deus no Brasil - ESTEADEB. Foi aluno laureado no ano de 2010, e publicou o Trabalho de Conclusão de Curso pela Editora Nossa Livraria (Editora e Comércio de Livros Jurídicos Ltda), no Estado de Pernambuco no início do ano de 2011 com o Tema: O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei.

É escritor, articulista e criador de conteúdos em (Teologia em Alta, Benfica RelógiosSkinni Jeans e Leitura Saudável), além do grupo de compras e vendas (Rapidão Negociação), bem como CEO da Imuni World no Facebook. Escreve publicações voltadas para a teologia em: Teologia em Alta e no Leitura Saudável dispõe de assuntos diversos, frases, pensamentos e comenta política cotidiana. No YouTube o Canal André Rodrigues traz uma vasta seleção de excelentes hinos cristãos que encantam e se destacam pelo variado repertório.  


terça-feira, 31 de outubro de 2017

A CONSOLIDAÇÃO DA DOUTRINA DOS OFÍCIOS (NA HISTÓRIA) - Por André Rodrigues



Aqui, passaremos a desenvolver a ideia desses ofícios na história. Os reformados costumam falar de três ofícios com relação à obra de Cristo. Berkhof (2004, p. 327) diz-nos que “Calvino foi o primeiro a reconhecer a importância de distinguir os três ofícios do Mediador e chamar a atenção para isto num capítulo específico das suas Instituta”. Entretanto, não deixa de fazer menção de que os chamados primeiros Pais da Igreja ressaltavam esses diferentes ofícios na pessoa de Jesus. Temos, por exemplo, o testemunho de Euzébio de Cesaréia, “Pai da História Eclesiástica (263-340) ‘que’ propôs-se a escrever desde os primórdios da Igreja Cristã até os seus dias” (ANDRADE, 2007, p. 382), o qual disserta sobre o conhecimento dos hebreus referente aos ofícios de Cristo desta forma:

Deve-se saber que, entre os hebreus, o nome de Cristo não era ornamento apenas dos que estavam investidos do sumo sacerdócio e eram ungidos simbolicamente com óleo preparado, mas também dos reis, que eram ungidos pelos profetas por inspiração divina e faziam deles imagem de Cristo, pois efetivamente estes reis já levavam em si mesmos a imagem do poder real e soberano do único e verdadeiro Cristo, Verbo divino, que reina sobre todas as coisas. Além disso, a tradição nos faz saber igualmente que também alguns profetas foram convertidos em Cristo, figuradamente, por meio da unção com óleo, de forma que todos estes fazem referência ao verdadeiro Cristo, o Verbo divino e celestial, único sumo Sacerdote do universo, único rei de toda a criação e, entre os profetas, único sumo Profeta do Pai. Prova disto é que nenhum dos que antigamente foram ungidos simbolicamente: nem sacerdotes, nem reis, nem profetas, possuíam tão alto poder de virtude divina como está demonstrado que possuía Jesus, nosso Salvador e Senhor, o único e verdadeiro Cristo. (EUSÉBIO DE CESARÉIA, 2005, p. 23, grifo meu).

Essa pode ser uma das mais importantes declarações históricas a esse respeito. Retornando, porém, ao período da Reforma, diz-se que não era unânime a concepção dos três ofícios na pessoa de Jesus. Berkhof ressalta que nem todos os teólogos Luteranos declaravam a existência dos três ofícios, mas distinguiam somente dois, fazendo uma junção do ofício profético ao sacerdotal. Contudo, a tríplice distinção consolidou-se como aceita no âmbito comum da teologia, mesmo não havendo concretização quanto à importância desses ofícios e quanto à relação mútua entre eles (2004, p. 327). Esse pensamento acerca do reconhecimento de apenas dois dos ofícios perdurou com os Socinianos.

Os Socinianos, na verdade, reconheciam só dois ofícios: Cristo agiu como profeta na terra, e age como rei no céu. Apesar de falarem também de Cristo como sacerdote, incluíam subordinadamente a Sua obra sacerdotal em Sua obra real e, portanto, não reconheciam o Seu saderdócio terreno. (IBIDEM).

Outros argumentos contrários a essa doutrina são largamente expostos quando entra em cena na Igreja Luterana certa contrariedade “à doutrina dos três ofícios de Cristo”. Berkhof (2004, p. 327) diz que certo Ernesti, teólogo luterano, destaca resumida contestação:

Segundo ele, a divisão dos ofícios é puramente artificial; os termos profetas, sacerdote e rei não são empregados na Escritura no sentido presente nesta divisão; é importante discriminar com clareza uma função em relação as outras, na obra realizada por Cristo; e os termos, como utilizados na Escritura, só são aplicados num sentido figurado e, portanto, não devem ter significados precisos a eles afixados, designando parte particulares da obra de Cristo. (IBIDEM).

Contudo, a explicação acima citada é fraca de argumentação, “visto que são utilizados em todo o Antigo Testamento [os termos] como designativos daqueles que, nos ofícios de profeta, sacerdote e rei, tipificam Cristo” (BERKHOF, 2004, p. 327).

Outro debate é acentuado por Ritschl. Este afirma que “o termo “vocação” deveria tomar o lugar da palavra “ofício”, que se presta a mal intendidos”. [...] “ele considerava a função ou atividade real de Cristo como primordial, e as funções profética e sacerdotal como secundárias e subordinadas, esta indicando a relação do homem com o mundo, e aquela, a sua relação com Deus”. Com isso, Ritschl vai ao extremo e, em alusão à vocação, nega os três ofícios (BERKHOF, 2004, p. 327, 328). Entretanto, Berkhof entende que “a distinção dos três ofícios de Cristo é valiosa e deve ser conservada”.

Contrariando todas as objeções acima destacadas, McGrath (2005, p. 472) afirma que “essa visão do ofício triplo de Cristo tornou-se oficial no século XVII e encontrou plena justificação nas obras dos teólogos protestantes do período”. Este teólogo diz ainda que um célebre François Tirretini “expõe sua visão a respeito desta questão de maneira mais detalhada, em um texto originalmente publicado em latim, no ano de 1679”.

Este oficio mediador de Cristo distribuiu-se entre três funções, que se constituem em três ofícios individuais: o ofício profético, o sacerdotal, e o real... A tríplice miséria humana decorrente do pecado (isto é, a ignorância, a culpa, e a opressão do pecado) torna este tríplice ofício necessário. A ignorância é curada por meio do ofício profético; a culpa, por meio do ofício sacerdotal e a opressão por meio do ofício real. A luz profética dissipa as trevas da ignorância; o merecimento do sacerdote remove a culpa e alcança nossa reconciliação com Deus; o poder do rei vence a opressão do pecado e da morte. O profeta nos mostra Deus; o sacerdote nos leva a Deus; e o rei nos une a Deus em comunhão, trazendo sua glória até nós. O profeta ilumina nossa mente por meio do espírito que traz a luz; o sacerdote alivia nosso coração e consciência por meio do espírito de consolação; o rei subjuga nossas inclinações rebeldes por meio do espírito de santificação (McGRATH, 2005, p. 472).

Assim, concluímos que, tanto os testemunhos mais antigos quanto as objeções, são importantes para a valorização da doutrina, a qual passou despercebida por diversos teóricos em seus tratados teológicos. Toda essa problemática, entretanto, pode ter sido o motivo principal para a falta de esmero pelo referido tema. Mesmo assim, é possível encontrarmos sua presença em alguns poucos teólogos hodiernos.


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Artigo extraído de: RODRIGUES, André. O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei. 2011, Editora Nossa Livraria - PE

Disponível para venda em formato E-book no Amazon: 

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